sábado, 17 de maio de 2008

Taça da Intolerância


A quarta-feira que passou foi de muitos eventos futebolísticos, decisões e mais decisões, mas uma delas chama muita atenção nos dias de hoje, não por ser uma final de taça na Europa, mais um jogo valendo um torneio, torcidas, é algo mais além, uma final marcada pela intolerância histórica, que não poderia deixar de ter um final mais intolerante ainda, com imagens de selvageria pura, em Manchester.
Estou me referindo a final da Copa da Uefa, onde times europeus, em um sistema de jogos de ida e volta, tentam chegar à segunda taça mais importante do continente, a grande final, que poderia aqui estar exaltando os clubes, com seus grandes jogadores e história que fizeram pelo esporte nada mais seria que uma ilusão, frente ao que estes mesmos clubes são.
Primeiro é o time escocês do Rangers, com sua origem protestante, só aceitavam jogadores que seguissem a religião, outros de fora nem entravam no clube, a intolerância mais que imbecil terminou em 1989 com a vinda de seu primeiro jogador católico, mesmo tarde, pelo menos esse clube que é grande em seu país , acordou e viu que é uma grande babaquice ainda continuar nessa.
Poderia ficar falando desse time, que não teria problema, agora o outro tem, é mais grave e não consertam até hoje. Falo do Zenit, de São Petesburgo, mais exatamente um clube russo, fundado em 1925, clube que JAMAIS aceitou negro. É meus queridos, isso mesmo que vocês leram. Um time RACISTA, em plenos dias de hoje! É, meus amigos, não pára por ai. A torcida maciçamente formada por figuras que usam o capuz da Ku Klux Klan nos estádios, com cantorias contra negros que jogam contra eles em seu estádio.
Percebem que estou apontando algo muito mais grave do que simplesmente jogadores violentos e pernas de pau, clubes que compram juízes, que devem milhões para não sei onde, que é envolvido em armações em seus campeonatos, estou aqui falando de algo que a intolerância teria que ser altamente intolerável, um time que não permite negros, mestiços, enfim, em seu time, cuja técnico holandês Dick Advocaat declarou que não quer negros em sua equipe, não está só puxando o saco do clube que o paga, ele faz pior, mostra a verdadeira face de um racista, dizendo claramente isto. E pensar que ele comandou a seleção holandesa, convocando por muitas vezes alguns negros bons de bola daquele país.
Estamos em dias que qualquer tipo de preconceito é uma afronta para nossa liberdade, seja ela individual ou coletiva, não estou aqui dizendo que lá por volta de mil novecentos e vovó vai que poderia ter racismo, também não, mas casos até no Brasil de times que não permitiam negros aconteceram, mas morreram e viram que aquilo de nada adiantava, tanto para o esporte como para a sociedade, o meio em que vivem aqui no Brasil, o Vasco da Gama foi o primeiro time a aceitar negros em sua equipe, não era só o Fluminense, com a história do pó de arroz, mas todos antes tinham conotações racistas e elitistas, já que o futebol era um esporte assim na época, veio o Vasco para acabar com esta palhaçada sem tamanho.
Agora voltando ao nosso problema que é russo, já quase baniram este clube do futebol, mas por que não o fizeram? É ser tolerante com a intolerância? É o dinheiro que fala mais alto, levando mais uma vez a idéia de que futebol hoje em dia virou um puta negócio? O que acontece para este time nem ter disputado esta taça importante na Europa? Nem deveriam estar jogando a quinta divisão russa! Mas agora parece que a coisa não tem escapatória e correm o risco de serem expulsos da Uefa,devido as atitudes racistas de seus torcedores.
Hoje este clube é tido como um dos mais ricos do mundo, ou seja, o racismo é rico, ele compra, faz com que tenhamos que engolir tudo goela abaixo, agora vão banir este clube? Mais uma informação de como as coisas são mais grave do que pensamos, o presidente atual da Rússia, Dmitry Anatolyevich Medvedev, é torcedor fervoroso e grande contribuidor para a riqueza do clube, acionista da Gazprom, só a maior empresa da Rússia e maior exportadora de gás do mundo.Pois é,né...
Sinceramente não temos que engolir isso a seco e ver que está tudo bem, este mundo continua errado, com manifestações violentas, intolerância, agora temos em nossos olhos, através do esporte mais popular que o mundo tem, a sujeira, o seguimento de idéias que nunca deveriam existir, mas que surgiram e ainda continuam.
Triste e lamentável ver após o jogo, em que este time russo ganhou por dois gols e sagrou-se campeão, Manchester virou campo de batalha onde não só torcedores rivais se digladiaram, mas como briga entre própria torcida, é o retrato do mundo em que vivemos. É a vitória da intolerância.

sábado, 10 de maio de 2008

Marchas pra que te quero.





No Domingo que passou, tivemos dois eventos altamente peculiares e de extremos, pois bem, aconteceram duas manifestações, até então pacíficas, mas que se tornaram uma violência contra a liberdade de expressão e a favor de um fascismo por trás da palavra “família”. As tais manifestações, onde abrem muitas discussões foram “A Marcha da Maconha” e “Rio em defesa da família , tudo muito bom e muito bem por ai: a primeira se manifesta e abre discussão sobre a legalização e a descriminalização da maconha, que diversos estados aderiram à idéia e marcharam pela mesma. Do outro lado temos a marcha onde pessoas contrárias as idéias da primeira manifestação reuniram-se para para protestar. Até ai tudo bem, se não concorda com tal evento, que se manifeste, pessoas que vêem as drogas como algo de ruim para a sociedade, tudo bem.

Desde já não estou aqui defendendo a turma da erva, nem a grande família, mas a primeira marcha nada tem a ver com maconheiros desvairados, que vão sair pela zona sul carioca, fumando seu beck e cantando reggae, eles estão ali por uma idéia que hoje em dia tem de ser discutida mesmo, onde em qualquer país de senso democrático tem que ouvir e discutir a melhor forma para se chegar à soluções como esta, é inevitável hoje em dia se discutir sobre o que faremos com a maconha vendida e que muitos sofrem com isso, se legalizar e descriminalizar a tal droga pode-se diminuir a violência e assim trazer benefícios que a erva tem, em prol de todos. Não falo das drogas e sim das idéias que vejo nessa discussão toda, feita por esta marcha.

Já do outro lado, temos pessoas que não concordam com a tal marcha, pessoas ditas de família, fidedignas, onde não vêem lugar para drogas, que só faz incitar mais violência pelo país porém, a tal marcha da erva não estava lá para dizer “fumem, meu povo, fumem”, eles querem simplesmente abrir mais o debate sobre essa questão de drogas, por quê liberar uma e a outra não? Que mal tem a maconha, já que o álcool mata muito mais e é legalizado? Por que não legalizar e ver que a cannabis tem muito mais utilidade do que uma apertadinha no fim de tarde na praia?

Ai me vem essa marcha, formada por famílias cariocas, onde no jornal eu me deparo com uma foto onde duas pessoas representantes da família e dos bons costumes carregam uma bandeira do símbolo do INTEGRALISMO. Como assim, cara pálida? Como querem reivindicar algo, ser contra, usando um símbolo nefasto, nojento, grotesco? Mas ai o cara que levanta a bandeira com o desenho da erva é um tremendo de um maconheiro, filho da puta, já a turma legal usando um símbolo altamente e muito mais ofensivo às próprias famílias que ali estão pela orla, ta tudo bem?

O direito de se manifestar é pleno, é de fato um direito que qualquer um tem, de abrir qualquer discussão, seja ela o que for. A Justiça proibir a marcha da cannabis, com repressão policial, violência, não só no Rio, mas em outros estados é aterrorizante, pior, tudo isso, quem reivindicou a proibição são os mesmos que usam bandeira de um símbolo fascista? Será que é isso mesmo que o país, depois de tanto lutar para ter seu grito livre, ter que ver cenas totalmente acachapantes de uma volta, um passeio para um passado não muito distante. Será que perderam a lógica e o sentido das coisas? Se manifestar, a turma da família até pode, mas não me venham com aquela bandeira integralista, pagando de pessoas de bom costume e de família, aquilo é um símbolo que mostra realmente o que aconteceu no domingo, calar uma voz.

Como tinha frisado, o nosso direito de manifestar está ai, mas porque uma boa parte daquele grupo se incomoda tanto com uma manifestação e discussão que hoje em dia é atual, não tem como fugir, que são as drogas? São estes mesmos que dizem ser do bom costume, beber seu uísque e não ver que teriam que gritar, junto com a turma da cannabis, uma manifestação em cobrança a tantas atrocidades que vemos e passamos. Porque não gritar por um descaso que é tratado o combate à dengue, que tantos cariocas andam morrendo, por que não encher o saco do prefeito que nada faz, que joga culpa em todos e até em nós mesmos? Por que não gritar, agitar, fazer panelaço com toda essa palhaçada que acontece em Brasília? Ao invés de ficarem fazendo marcha em repúdio a uma que dizem ser contra a moral e bons costumes, usando uma bandeira daquelas ou outras pessoas que se aglomeram para linchar aquele casal que a mídia já massacrou o que devia, chega, eles foram acusados, vão pagar, por que essas pessoas se não querem se manifestar por questões muito mais sérias e que atingem à todos, não fazem outra coisa da vida?

Eu digo que o país em que vivemos é falso-liberal, falso-democrático, na verdade isso aqui é totalmente moralista, dizem que somos um país lindo, de pessoas boas, mas todas prontas a apontar, massacrar, diminuir as outras quando tem opiniões contrárias às suas. A verdade é esta, somos um país hipócrita, que não gosta daqui, um Brasil que não gosta do Brasil, que não olha para o próprio umbigo e tentar de forma inteligente, mudar isso aqui, preferem gritar por pouco, preferem dizer um “não” bem sonoro e fascista para uma turma que está tentando se manifestar de forma pacífica, que uma bunda enorme na novela das nove (já não é oito faz tempo) é uma coisa deliciosa de se ver, mas a discussão de um beijo homossexual é aterrorizante aos olhos de todos no mesmo horário nobre, um país que se manifesta de forma louca quando sua seleção de futebol levanta uma Copa, mas que não se levanta para fazer o mesmo barulho num Congresso, numa Prefeitura, um país acostumado a ser o que é, hipócrita, cheio de preconceitos e defeitos extremamente terríveis à democracia, tudo isso com uma bandeira e com “anauê” nas idéias.