sábado, 10 de maio de 2008

Marchas pra que te quero.





No Domingo que passou, tivemos dois eventos altamente peculiares e de extremos, pois bem, aconteceram duas manifestações, até então pacíficas, mas que se tornaram uma violência contra a liberdade de expressão e a favor de um fascismo por trás da palavra “família”. As tais manifestações, onde abrem muitas discussões foram “A Marcha da Maconha” e “Rio em defesa da família , tudo muito bom e muito bem por ai: a primeira se manifesta e abre discussão sobre a legalização e a descriminalização da maconha, que diversos estados aderiram à idéia e marcharam pela mesma. Do outro lado temos a marcha onde pessoas contrárias as idéias da primeira manifestação reuniram-se para para protestar. Até ai tudo bem, se não concorda com tal evento, que se manifeste, pessoas que vêem as drogas como algo de ruim para a sociedade, tudo bem.

Desde já não estou aqui defendendo a turma da erva, nem a grande família, mas a primeira marcha nada tem a ver com maconheiros desvairados, que vão sair pela zona sul carioca, fumando seu beck e cantando reggae, eles estão ali por uma idéia que hoje em dia tem de ser discutida mesmo, onde em qualquer país de senso democrático tem que ouvir e discutir a melhor forma para se chegar à soluções como esta, é inevitável hoje em dia se discutir sobre o que faremos com a maconha vendida e que muitos sofrem com isso, se legalizar e descriminalizar a tal droga pode-se diminuir a violência e assim trazer benefícios que a erva tem, em prol de todos. Não falo das drogas e sim das idéias que vejo nessa discussão toda, feita por esta marcha.

Já do outro lado, temos pessoas que não concordam com a tal marcha, pessoas ditas de família, fidedignas, onde não vêem lugar para drogas, que só faz incitar mais violência pelo país porém, a tal marcha da erva não estava lá para dizer “fumem, meu povo, fumem”, eles querem simplesmente abrir mais o debate sobre essa questão de drogas, por quê liberar uma e a outra não? Que mal tem a maconha, já que o álcool mata muito mais e é legalizado? Por que não legalizar e ver que a cannabis tem muito mais utilidade do que uma apertadinha no fim de tarde na praia?

Ai me vem essa marcha, formada por famílias cariocas, onde no jornal eu me deparo com uma foto onde duas pessoas representantes da família e dos bons costumes carregam uma bandeira do símbolo do INTEGRALISMO. Como assim, cara pálida? Como querem reivindicar algo, ser contra, usando um símbolo nefasto, nojento, grotesco? Mas ai o cara que levanta a bandeira com o desenho da erva é um tremendo de um maconheiro, filho da puta, já a turma legal usando um símbolo altamente e muito mais ofensivo às próprias famílias que ali estão pela orla, ta tudo bem?

O direito de se manifestar é pleno, é de fato um direito que qualquer um tem, de abrir qualquer discussão, seja ela o que for. A Justiça proibir a marcha da cannabis, com repressão policial, violência, não só no Rio, mas em outros estados é aterrorizante, pior, tudo isso, quem reivindicou a proibição são os mesmos que usam bandeira de um símbolo fascista? Será que é isso mesmo que o país, depois de tanto lutar para ter seu grito livre, ter que ver cenas totalmente acachapantes de uma volta, um passeio para um passado não muito distante. Será que perderam a lógica e o sentido das coisas? Se manifestar, a turma da família até pode, mas não me venham com aquela bandeira integralista, pagando de pessoas de bom costume e de família, aquilo é um símbolo que mostra realmente o que aconteceu no domingo, calar uma voz.

Como tinha frisado, o nosso direito de manifestar está ai, mas porque uma boa parte daquele grupo se incomoda tanto com uma manifestação e discussão que hoje em dia é atual, não tem como fugir, que são as drogas? São estes mesmos que dizem ser do bom costume, beber seu uísque e não ver que teriam que gritar, junto com a turma da cannabis, uma manifestação em cobrança a tantas atrocidades que vemos e passamos. Porque não gritar por um descaso que é tratado o combate à dengue, que tantos cariocas andam morrendo, por que não encher o saco do prefeito que nada faz, que joga culpa em todos e até em nós mesmos? Por que não gritar, agitar, fazer panelaço com toda essa palhaçada que acontece em Brasília? Ao invés de ficarem fazendo marcha em repúdio a uma que dizem ser contra a moral e bons costumes, usando uma bandeira daquelas ou outras pessoas que se aglomeram para linchar aquele casal que a mídia já massacrou o que devia, chega, eles foram acusados, vão pagar, por que essas pessoas se não querem se manifestar por questões muito mais sérias e que atingem à todos, não fazem outra coisa da vida?

Eu digo que o país em que vivemos é falso-liberal, falso-democrático, na verdade isso aqui é totalmente moralista, dizem que somos um país lindo, de pessoas boas, mas todas prontas a apontar, massacrar, diminuir as outras quando tem opiniões contrárias às suas. A verdade é esta, somos um país hipócrita, que não gosta daqui, um Brasil que não gosta do Brasil, que não olha para o próprio umbigo e tentar de forma inteligente, mudar isso aqui, preferem gritar por pouco, preferem dizer um “não” bem sonoro e fascista para uma turma que está tentando se manifestar de forma pacífica, que uma bunda enorme na novela das nove (já não é oito faz tempo) é uma coisa deliciosa de se ver, mas a discussão de um beijo homossexual é aterrorizante aos olhos de todos no mesmo horário nobre, um país que se manifesta de forma louca quando sua seleção de futebol levanta uma Copa, mas que não se levanta para fazer o mesmo barulho num Congresso, numa Prefeitura, um país acostumado a ser o que é, hipócrita, cheio de preconceitos e defeitos extremamente terríveis à democracia, tudo isso com uma bandeira e com “anauê” nas idéias.

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