quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Aprontei tudo: garrafa de uísque com dois copos , dois charutos para comemorar e um prosecco pro pessoal estourar...
3kg 160g , saudavel, a mãe bem após a cesária, nasceu, fomos comemorar.
Como é de costume os homens desceram para o tradicional charuto e dentre inúmeros assuntos foi falado sobre o assunto mais popular: relacionamento.
O mais curioso foi a visao de um dos membros dessa quase reuniao maçônica:
- Se eu me separar da atual pessoa que estou, irei só ficar com putas na minha vida. - eis a explicação - você gasta a mesma coisa que gasta normalmente com namoradas mas se satisfaz e não se aporrinha.
Esse membro ainda disse que tem 40 anos e só teve problemas ao se relacionar, que já sofreu todos os tipos de danos possíveis e portanto, após esses anos de experiência, decidiu renunciar desse sentimento mais amplo em relacionamento, seguindo um linha mais hedonista e que é a mais comum entre todos.
Curioso foi que eu penso o contrário disso, mesmo com as porradas que já tomei na vida, não endureço perante a esse tato além da superfície, pelo contrário.
AInda mais vendo tantas crianças vindo ao mundo, e imaginando, talvez ingenuamente, que foram fruto de algum carinho e cumplicidade, acabei querendo me sentir um pouco pai... quem sabe um dia, um distante dia, pois ainda faltam tantas coisas.....
Foi uma noite interessante, apesar do dia penoso que se seguiu de ressaca, valeu a pena e estou aqui utilizando minhas últimas energias para relatá-lo.
Final de semana terminarei de matar a garrafa que ficou lá abandonada pela metade.... hasta!
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Desligam-se os celulares, tira o telefone do gancho e tranca a porta com uma placa pendurada "NÃO PERTURBE" em letras garrafais vermelhas .
Aí se está apto ao isolamento, a distanciar do mundo e até de si às vezes.
Faço isso sem esperar nada especial , nenhuma providência que me tire deste momento necessário e silencioso. Simplesmente trata-se de uma reação, assim quando o organismo detecta um corpo estranho e envia seus anticorpos para manter o equilíbrio, eu mergulho em solução neutra e restituo minhas fibras - aciono os anticorpos da alma.
Nessa convalescença é comum ficar mais sensível a detalhes, às pequenas reações, às sutis transformações e a contabilidade sentimental torna-se mais apurada para seus ativos e passivos.
Portanto faço aqui meu comunicado aos acionistas de minha sociedade anômima:
"Depois de meses com o caixa equilibrado, sem lucros , nem prejuízos consideráveis, resolvi redirecionar minhas atividades no mercado a fim de alcançar superávit.
Obrigado, a direção."
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
domingo, 5 de outubro de 2008
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
domingo, 28 de setembro de 2008
por mais que aquela voz que só é audível para nós - e que nem sempre ouvimos-
diz
mas vamos
em meio a seixos de folhas cortantes,
confiantes
pois não espere que eu diga aqui, arrependido "não irrompas nesses rompantes intempestuosos",
pois quando no escuro do quarto temos só como companhia nossas pupilas , oque resta na penumbra são os tons destes atos em si não explicados e que não há o que se explicar - deixemos para as escolas o teor didático.
à caneta é que devemos registrar - de preferência tinteiro ou um bom nanquim, ou um rubro intenso de manhãs insones. desta cor ofegante de mãos trêmulas e paradoxalmente firmes.
pois não há outra que imprima as frases, não há nenhuma quem defina o que disto tudo encima
senão os nossos próprios dedos arquejantes.
sábado, 27 de setembro de 2008
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Com olhos incandescentes e boca úmida, de um sorriso quente.
Lá fora o tempo de sempre, o céu seco e sereno.
Dentro, uma tempestade elétrica, despida com um toque, seu corpo se desvendava em mim, alvo, em seu decote vislumbrava seios, pele e um feixe ofegante de ser que mordia os lábios em descompassada respiração.
Rua do Ouvidor, pôs os óculos – como fica linda com eles – cerrou a porta sem despedida e eu agradeci também em silêncio
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Não, vou continuar virando meu balde e espalhando minhas coisas por aí.
Se caso invadir teu quintal e você franzir o cenho, vou pedir pra se sentar e te desafiar a construir arranha-céu, a fazer alguma poção avermelhada mágica, ser alquimista e orquestrar o sol a nascer e pôr, ou guardar um frasco de chuva de lembrança.
Minha caixa de sapato tá vazia vazia e minhas lembranças são cheias, transbordam e estragam qualquer caixa de sapato, o papelão amolece e eu tenho que guarda-las no bolso mesmo de paletó preto com risca de giz.
sábado, 20 de setembro de 2008
Pois bem, estamos aí com nossos carrinhos enchendo de produtos e mais produtos.
To precisando de uns bens não perecíveis e duráveis, mas tá difícil no mercado.
Pela lei da oferta e demanda só tem bens perecíveis e não duráveis.
Pois é está tudo inflacionado, não tem jeito, é uma crise mundial.
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
vi ouro preto e tudo que ela possui, temporariamante e permanentemente, e pouco me contive em mim.
Misturei-me nisso tudo, pessoas, jacks e daniels , e põe música, capricha na música, daquelas que você não aguenta tirar um bocadin, precisa de encher as mãos, que nem aquele ímpeto de criança que ao beber um copão de nescau fica com um mega bigode.
(Tentei fazer o upload de um vídeo, mas está muito pesado e o blogger não digeriu bem ele, tadinho.)
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
O Rio de Janeiro é uma cidade cinematográfica...
sábado, 6 de setembro de 2008
Pockets Pensamentos
Meia dúzia de cigarros
Algumas horas dormidas
Uma leve dor de cabeça
vestígios da noite passada
em minha boca
O suprimento necessário para partir.
terça-feira, 2 de setembro de 2008
domingo, 31 de agosto de 2008
sábado, 30 de agosto de 2008
eu falo
e você escuta
em acessos nervosos
suas mãos não sabem o que pegar
elas apertam convulsivamente as coisas
eu estou aqui
na verdade estou ali
já não estou mais
adotei uma liquidez fugidia
cuidado para eu não entrar no teu ouvido
ou em alguma parte recôndita do teu corpo
pois não existe vacina, nem anticorpos
para cessar essa intrusa voz que se aloja em ti.
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
(trecho)
“.. O prazer nascendo dói tanto no peito que se prefere sentir a habituada dor ao insólito prazer. A alegria verdadeira não tem explicação possível, não tem a possibilidade de ser compreendida - e se parece com o início de uma perdição irrecuperável. Esse fundir-se total é insuportavelmente bom - como se a morte fosse o nosso bem maior e final, só que não é a morte, é a vida incomensurável que chega a se parecer com a grandeza da morte. Deve-se deixar inundar pela alegria aos poucos - pois é a vida nascendo. E quem não tiver força, que antes cubra cada nervo com uma película protetora, com uma película de morte para poder tolerar a vida. Essa película pode consistir em qualquer ato formal protetor, em qualquer silêncio ou em várias palavras sem sentido. Pois o prazer não é de se brincar com ele. Ele é nós.” Clarice Lispector
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
E na véspera do momento mais importante tomo um porre homérico e esqueço-me em sono embrigado.
Amanhã tem trabalho , mas foda-se.
Talvez até fique mais eloquente de ressaca
Click
As coisas viram assim em clicks intermitentes, em viradas de interruptores e bam! já estamos em outra ocasião.
Maquiagem, toma as falas e vai lá, fala tudo que você quiser.
Fale " Te amo" e come ela . Depois sinta uma enorme repugna daquele corpo nu estranho , daquela mulher que você mal sabe o nome, de manhã.
E siga o clichê de botar as roupas sorrateiramente sem dizer tchau.
Já estou agora na rua , andando e o sol brilha, pego meu carro e dirijo em alta velocidade por uma rodovia cheia de placas vazias e ...
sei lá pra que direção ir... o que importa é que vou.
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Longe das extremidades seguras, eu visualizava um oceano profundo que me causava um misto de receio e curiosidade.
Com o tempo, passei a me aventurar, a dar braçadas aspirantes, a iniciar meu descobrimento...
Hoje, a mar aberto, observo muitos na borda que sentem um arrepio ao tocar acanhadamente na água; pessoas de várias idades, alguns de sobretudo denotando o mínimo interesse em mergulhar. Dentre estas, as que mais me intrigam são aquelas que ficam uma eternidade observando com uma lividez apática de quem já mergulhou e quase foi tragada por um turbilhão. e ali permanecem com um olhar mortiço... com a falsa impressão de que nas profundezas sempre haverá um mórbido Netuno para aprisioná-las.
domingo, 24 de agosto de 2008
sábado, 23 de agosto de 2008
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
domingo, 17 de agosto de 2008
que o cronômetro da vida não cessa
mas há momentos que tudo fica suspenso
são raros décimos de segundos
apnéia que antecede um gesto
onde o tempo se encerra em sutil paralisia
- mas estas são portas frágeis de papel
que resistem pouco -
daí, rompido o silêncio ,
o tempo soterra essa fenda
seus alicerces cedem
as paredes preenchidas
as estantes , o quarto
a casa vazia
sábado, 16 de agosto de 2008
daquelas de oprimir o ar e a atmosfera
chovia uma chuva ávida por boeiros e poças
os postes pendiam uma luz anêmica
a cidade sussurrava sob um céu ruidoso
naquela janela consolada por cortinas hirtas
lá se escondia, em sua armadura instranponível
intransponível?
assim pensava, sem ver as frestas nas axilas , no pescoço
sem ver que naquelas costas guarnecidas em bronze
uma mão tocou e eriçou sua alma
a face agora fechada, intocável
fora transfigurada em olhar
torna cerrar em silente receio
encolhe-se na cama sem lençol, forrada de lembranças
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
- Patologia do medo é o nome dela.
- Estou escrevendo um livro sobre isso, relações pessoais, amorosas, banalização do sexo...
- Muito bom! Ando escrevendo textos sobre...
- Sim. Amigos meus contribuem para a feitura dele. Estou com um capítulo aqui que fala exatamente sobre esta superficialidade das relações atuais, que escrevi com auxílio de conversas com Leornardo Boff.
- Você o conhece?
- Sim, um amigo antigo. O conheci na década de 70, quando vim para o Brasil para auxiliar párocos aqui no Rio.
- Ótimo! Posso tirar uma cópia deste capítulo?
- Claro... Agora você tem que trabalhar... Quero que você me ajude a fazer este livro, vamos marcar um almoço.
- Só marcarmos, meu caro.
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No segundo dia de trabalho, me recordei das belas surpresas que abrem uma fissura na rotina.
Apesar das manhãs penosas, após parcas horas mal dormidas e madrugadas de cinzeiro cheio, tenho compensações...
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
ali espalmadas, prontas para agir a seu favor
e faz, age
acolhe a si com tempestuoso carinho
e voa
suas mãos viram asas desenvoltas
com envargaruas continentais
depois terás os pés e respectivas pernas
com músculos contraídos e espectantes
para um tiro de quantos metros quiser
os infindos kilometros dessa desmedida vida
que assume várias formas e está ali
como suas mãos e pernas a sua espera
assim como estão outras mãos, pernas
outros traços pousados na rua larga de possibilidades
e você impõe aos músculos um ritmo
ser até não é tão difícil quando se sabe qual passo o pé deve empregar
mas aí você não tem os olhos
não os têm na órbita correta
e as ruas assumem tenebrosa escuridão
os pés contêm uma dormente paralisia
as mãos uma aspereza inoperante
pois então
trate de olhar.
domingo, 10 de agosto de 2008
Coisas de sábado
O céu estava de um cinza tenso e o ônibus engolia a distância vorazmente, com exceção de duas paradas repentinas na via expressa para acolher passageiros perdidos em plena madrugada de sábado.
O cais do porto é de uma escuridão embrutecida, com viadutos sombrios e um silêncio de predador, que naquele momento fora rompido por um carro alegórico fora de época,que impedia a passagem do ônibus. Estamos em pleno agosto e , naquele momento à meia-noite , um carro alegórico era empurrado por meia dúzia de cablocos no do cais do porto - estava com saudade dessas pinturas surrealistas vivas cariocas.
Chegando à Lapa, o mesmo cenário dos finais de semanas cariocas: um centro de todo o tipo de raças, tribos, cores, músicas, etcs.
O depósito apinhado com cerveja a R$ 1.00, um oasis para quem não tem grana. Comprei uma e enquanto a esperava um ébrio me apresentava seu tratado etílico.
- A Itaipava gelada até vai, mas quando esquenta fica igual à água. A Skol que é a melhor cerveja.
Discordo.
Era um sábado úmido de bares cheios.
Com um curto passeio pelas calçadas, você se depara com tantos extremos - patricinhas de micro-saia desfilavam a procura do que elas nem sabem, intelectuais monologando a solução da vida ou queixando-se da irresolução das coisas e parafrasendo "n" escritores em voga, funkeiros fazendo algo que não consigo decifrar ouvindo algo que não consigo denominar e sendo felizes com uma felicidade que não consigo vislumbrar naquilo tudo, um mendigo vociferava profecias inteligíveis para alguém que não estava ali e muitas outras pessoas que não observei passavam. Não tenho aptidão para multidões, se abrem para mim como um borrão multicor , sem face , na maior parte das vezes.
Depois, Soul Baby Soul, uma noite repleta de boa música e alguns copos de bebidas escolhidas a esmo, conversas, mais pessoas e um esboço a lápis mal apontado de dança.
O domingo despontou molhado, trouxe poças, roupas encharcadas e banho de chuva, que acabou me sendo umas boas-vindas inesperadas.
Melhor assim, esperar por boas-vindas pode vir a tolher o ato em si.
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
terça-feira, 5 de agosto de 2008
quinta-feira, 31 de julho de 2008
quarta-feira, 30 de julho de 2008
MAs aí entra um emaranhado de receios, angústias, nostalgias vãs, pequenos cadeados enferrujados que cerram, ofuscam e trancafiam.
Se queres beber aquela bebida azul, se gostas do cheiro, pois beba!
Mas a bebida é azul, meu organismo estranhará , é temoroso, é é é é.
Assim as coisas passam ser outra coisa, um quadro abstrato com matizes de "é", de acanhados tons de " deve ser", de lívidas aquarelas de "foi e quem sabe novamente será".
E continuamos desfilando nessa escura galeria de quase-realizações, de passados empoleirados com doentia veemência: portas trancadas com todos os trincos possíveis.
segunda-feira, 28 de julho de 2008
coisas?
Hoje acordei depois do meio dia, tomei um café frio e pus qualquer roupa amarrotada tal qual meu cabelo desgrenhado e fui ribanceira abaixo.
acho que deveria ter nascido outro bicho.
domingo, 27 de julho de 2008
Coisas estrangeiras
um novo sabor de cevada
e de prédios pesados de significado
engolindo-me
sorvo mais um trago
de novidade
e me largo ao novo acaso
fazem trinta e dois graus
o tempo lançou o equador acima
e preciso de um novo pensamento dourado
ou qualquer outro matiz
estou agora calado
contabilizando la vita
e o resultado é que meu caixa está zerado
quando chego a una nueva estaçao
sou tragado
pelo rubro tilintar da nova parada.
terça-feira, 22 de julho de 2008
Coisas de Cinema
Um filme de colhõesUm dos grandes filmes nacionais dos últimos tempos entrou em cartaz no fim da semana passada, de forma corajosa, seria um filme de “colhões”, como em algum momento do filme irão entender o porquê do termo, mas não precisa ir muito longe para sabermos que tem muito mesmo, principalmente quando entra nas salas nacionais junto com o forte Batman. O que iremos começar a pensar agora não é a grande doação que um cineasta de terceiro mundo tem de ter para realizar seu filme por longos tempos e ainda assim lançar no mesmo fim de semana contra um filme que entra com altíssimo orçamento, previsões de arrecadações astronômicas. Vamos falar de uma obra, que é prima e novamente repetindo: de “colhões”.
De tirar o fôlego as primeiras cenas numa forma intensa, nua e crua, marcam muito bem o que vem a ser “Nome Próprio”, filme de Murillo Salles, baseado nos livros “Máquina de Pinball” e “Vida de Gato”, ambos de Clarah Averbruck. O filme mostra a vida de uma jovem que tem o seu mundo e sua vida toda compartilhada com milhares de internautas através de seu blog, escritora de sentimentos fortes e intensos, vive a sua vida desse jeito, uma relação que não deu certo, tragada por uma traição. A partir daí, Camila, interpretada magnificamente por Leandra Leal. Tenta reconstruir sua vida. Chutada pelo namorado, começa a surgir a idéia de escrever um livro em meio à sua vida conturbada devido ao fim de seu relacionamento e por ser uma pessoa intensa, deixando exposta para quem quiser ver na tela do computador. É um filme de conflitos, em uma metrópole onde cada vez mais com o avanço tecnológico, as pessoas se distanciam, são desprovidas de um sentimento intenso, de cumplicidade entre as outras. De forte carga psicológica, o filme mostra uma personagem perdida em seu mundo, que ela própria construiu, intensamente, chegando a ser autodestrutiva em alguns momentos. Camila sabe o que deseja, mas a procura é dolorosa.
Este é um grande exemplo de drama psicológico nos dias de hoje. A Camila existe em milhares de pessoas, que ali estão solitárias numa metrópole, a procura de algo ou alguém, não importa, sempre será uma eterna procura nos dias de hoje, onde a intensidade é vista como anormalidade entre os seres, A cumplicidade que tanto Camila procura, não existe nas suas relações sexuais. As pessoas estão morrendo por dentro de uma forma estúpida, anulando o que tem de mais belo em meio à sujeira metropolitana.
Um tapa na cara da normalidade que existe hoje em dia, do puritanismo nas relações, no convívio. “Nome Próprio” tem cenas fortemente belas, onde cada plano se vê intensidade, onde o espectador entra nos lugares em que Camila está presente, ela nos conduz a sua vida, em seu apartamento vazio. De uma fotografia simples, sem rodeios, diretamente mostrando o que é o universo daquela jovem, onde o limpo é a sua sujeira mais dolorosa.
Adentramos a fundo na sua vodca vagabunda e suas “baladas” alternativas, tem todo o clima de procura, ao mesmo tempo de uma solidão enorme marcada em suas teclas, onde os caracteres invadem os quadros do vazio lugar de uma vida intensa, deixando completamente exposta, de frente para a tela, para quem quiser ver a jovem da grande cidade, como se fosse “ta aí, minha vida está para quem quiser ver na grande tela”.
Muito tem a se pensar sobre este filme, repleto de riquezas em seus personagens, com forte tom psicológico, nos dá um choque ao depararmos com cada um daqueles seres que vivem na cidade onde tudo definitivamente acontece, a profundidade de uma cidade e suas pessoas, como elas se relacionam durante seus dias, como é cruel esse avanço que tende a ser pior em breve. Um filme de colhões, como a personagem, como o diretor, a equipe e como todos que encararem esta obra de forma intensa, de entrega total e ver que mesmo em um fim de semana onde o cavaleiro das trevas reaparece contra o seu doentio arquiinimigo, “Nome Próprio” teve definitivamente começado a ser escrito com letra maiúscula.
segunda-feira, 21 de julho de 2008
Samba Para Vinícius
Meu poeta camarada
Poeta da pesada
Do pagode e do perdão
Perdoa essa canção improvisada
Em tua inspiração
De todo o coração
Da moça e do violão
Do fundo
Poeta
Poetinha vagabundo
Quem dera todo mundo
Fosse assim feito você
Que a vida não gosta de esperar
A vida é pra valer
A vida é pra levar
Vininha, velho, saravá
(Composição: Toquinho - Chico Buarque)
quinta-feira, 17 de julho de 2008
Anima Mundi
terça-feira, 15 de julho de 2008
Decifra-me ou te devoro
o vento vociferou em rajada
o fúlgido grito de sol e o tênue sussurar da lua
o íntimo tato de árvores, chão e seus ressoares constritos
o ronronar do metafísico silêncio suspenso em tudo
os flúidos dizeres de água em desaguares e marés
o duro expressar das rochas, minérios e cidades
o tenso refulgir de coração palpitou escarlete voz
o dizer além da fala:
o concerto de mãos e manhãs
o diálogo, o monólogo
dos olhos e suas incendiárias expressões
dos poros e suas palavras eriçadas
da boca e sua muda contemplação
Ouviu?
O tempo devora o que não se decifra.
segunda-feira, 14 de julho de 2008
Resumo das coisas
ser exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além
(Paulo Leminski)
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Pois a vida é que nem Haicai.
Faço o seu.
quinta-feira, 10 de julho de 2008
Quando frente à fresta luminosa da porta, somos sondados por aquela umidade de luz, musgo, ares - precipícios macios; e com as mãos trêmulas damos mais um volta na chave- trancando mais - com patológico temor do inédito.
Depois abrimos as janelas e vemos o vapor longínquo de lá.
assim apelidamos parcamente o suntuoso horizonte: "lá"
pegamos lânguidamente uma poltrona a tira-colo e olhamos, tentando transpor o trinco da janela e inutilmente tocar.
A partir daí nos apercebemos (ou não: porque temos implícita a patologia de não-saber) que padecemos também da falta de toque.
Nossas faces então franzem-se em uma torpeza dura de concreto.
e daí nossa matéria, originalmente maleável, enrijece.
Padecemos de desumanização. E então, na penumbra de nós, somos engolidos por nós, viramos mais um móvel amorfo e mortiço de nossas sombrias dependências.
Viramos um quarto-sala sem janelas nem porta,com espessas paredes e impregnado de rarefeito ar taxidérmico.
quarta-feira, 9 de julho de 2008
O dia era visto apesar dos prédios, o dia era engolido pelas arestas aflitas de prédios com um acanhamento perpendicular.
- Olha que lindo...
Eu, intrigado com o comentário, perguntei:
- Lindo?
- Sim, o novo Audi.
E lá estava aquele monte de metal irrequieto, suspenso pela borracha e com círculos olímpicos em seu brazão frontal.
- É, lindo. - respondi com certo alheamento, enquando mantinha um diálogo azul e silencioso com o céu, esquendo-me ali.
terça-feira, 8 de julho de 2008
Perguntei ao poeta e ele me disse:
- Atire-se, tal qual súbito suicida.
Depois sondei o caixeiro viajante:
- Tome cuidado com certos caminhos, não se lance tal um adolecente às veredas.
Por fim, vi ali hesitante minha mãe na cozinha e suas tarefas automáticas:
- Qual é mesmo a cor de seus cabelos?
Adormeci. Depois de digerir as parcas horas matutinas, me despi desta noite e me guarneci de duro paletó, suavizado porém com provisões indispensáveis - punhados de poesia e um cantil de flúida prosa. Apesar de sua rigidez furta-cor e sisuda envergadura irresoluta, meu paletó jazia em mim com paradoxa calidez - dotada de uma doce combinaçãode canetas, música, céus claros, outonos e aquele inoxerável palpitar que podemos nomear de sentimento.
Fui trabalhar.
sexta-feira, 20 de junho de 2008
Mundo célebre

O mundo de hoje mudou, com ele toda a sociedade, seus costumes e suas culturas. Houve ocasiões que se reuniam muitos seres geniais da nossa cultura, todos se encontravam e ali aconteciam todos os bafafás, projetos e parcerias. Eram músicos, poetas, cineastas, literários, artistas plásticos, todos com suas atividades, mas algo em comum: a importância de seus trabalhos e contribuição para a cultura do país. Infelizmente não vivi esses tempos, sou da geração em que tudo é prático, enlatado e completamente artificial.
É possível sentir saudade de um tempo que nunca foi vivido? Pois é, vejo filmes, documentos, relatos de tantas personalidades, que tinham realmente uma personalidade, com o carisma e talento. O que vemos hoje em dia? Só ligar a televisão e nos deparamos com o que há de tão deprimente, um bando de pessoas não em busca de uma bolada em dinheiro, trancafiados numa casa, mas com certeza ganharão muito mais que o tal milhão tão sonhado por diversas pessoas que se inscrevem em tal programa. E o que essas pessoas tão carismáticas, talentosas e cheias de personalidade têm a oferecer depois que saem da tal casa? Um ensaio sensualíssimo mostrando a bunda no site, e nem precisa ser bonita. A mulherada garantiu isso e se alguma for mais talentosa que outras, ganha papel em novela, desbancando tantos atores que estão a tempo na estrada, tendo sua estrela apagada pela novíssima celebridade do Brasil.
Hoje é muito fácil ser celebridade, você pode ir ali e tentar a sorte de entrar na tal casa, com quinhentas câmeras, e tem mais graça ainda quando podem ver você dormindo! Mas a fama pode vir de outra maneira: se tiver coragem e gostar, pode ser um travesti. Abocanhar grandes quinze minutos como jogador de futebol, atleta este que nem precisa realmente ser um, pode ter uma barriguinha. Olhe, já deixei três boas dicas de como se tornar uma grande personalidade que vai fazer diferença, tem outra também, pode vender seu corpo ou apenas se fingir de drogado na adolescência e fazer um livro sobre sua vida sofrida, detalhe, sempre com pitadas de auto-ajuda, isso ganha o número monstruoso de brasileiros que lêem.
O mais interessante vem agora. Vai circular nas grandes revistas de celebridades maravilhosas, posando para fotos como se tivessem sido bem espontâneas ou então mostrar a casa para os leitores, ai tem você fingindo que lê(mas no fundo nem um panfleto dá uma olhada para ver o que tem), com a família feliz(sendo que a esposa é um trubufu,mas que foi salva pelo photoshop), está lá, a grande celebridade! Talvez também consiga aparecer nas colunas sociais, num evento de alguma socialite que anda para lá e pra cá com seu poodle rosa, numa festa repleta de músicos, cineastas, pintores, socialites, papagaio de pirata, cronistas, etc... Mas não se esqueça de falar alto, porque os colunistas pescam todas as grandes pérolas mandadas pelas celebridades maravilhosas.
Bom, ironias a parte, sinto saudade de um tempo em que não vivi. De pessoas que faziam a diferença nesse pequeno e grande mundo, de encontros entra os grandes intelectuais e não um diretor que em sua peça mostra a bunda para o público,taxando os seus espectadores, que pagaram para ver essa maravilhosa peça, de burros. Saudade de um tempo em que não vivi em que a roda de bar era o início de parcerias fenomenais, que ficariam para sempre marcadas. Saudade de uma geração nada artificial, mas pensante, que não existia essa comodidade e praticidade de hoje, antes era a carta, hoje o email. Saudade do que não vivi.
sábado, 17 de maio de 2008
Taça da Intolerância

Estou me referindo a final da Copa da Uefa, onde times europeus, em um sistema de jogos de ida e volta, tentam chegar à segunda taça mais importante do continente, a grande final, que poderia aqui estar exaltando os clubes, com seus grandes jogadores e história que fizeram pelo esporte nada mais seria que uma ilusão, frente ao que estes mesmos clubes são.
Primeiro é o time escocês do Rangers, com sua origem protestante, só aceitavam jogadores que seguissem a religião, outros de fora nem entravam no clube, a intolerância mais que imbecil terminou em 1989 com a vinda de seu primeiro jogador católico, mesmo tarde, pelo menos esse clube que é grande em seu país , acordou e viu que é uma grande babaquice ainda continuar nessa.
Poderia ficar falando desse time, que não teria problema, agora o outro tem, é mais grave e não consertam até hoje. Falo do Zenit, de São Petesburgo, mais exatamente um clube russo, fundado em 1925, clube que JAMAIS aceitou negro. É meus queridos, isso mesmo que vocês leram. Um time RACISTA, em plenos dias de hoje! É, meus amigos, não pára por ai. A torcida maciçamente formada por figuras que usam o capuz da Ku Klux Klan nos estádios, com cantorias contra negros que jogam contra eles em seu estádio.
Percebem que estou apontando algo muito mais grave do que simplesmente jogadores violentos e pernas de pau, clubes que compram juízes, que devem milhões para não sei onde, que é envolvido em armações em seus campeonatos, estou aqui falando de algo que a intolerância teria que ser altamente intolerável, um time que não permite negros, mestiços, enfim, em seu time, cuja técnico holandês Dick Advocaat declarou que não quer negros em sua equipe, não está só puxando o saco do clube que o paga, ele faz pior, mostra a verdadeira face de um racista, dizendo claramente isto. E pensar que ele comandou a seleção holandesa, convocando por muitas vezes alguns negros bons de bola daquele país.
Estamos em dias que qualquer tipo de preconceito é uma afronta para nossa liberdade, seja ela individual ou coletiva, não estou aqui dizendo que lá por volta de mil novecentos e vovó vai que poderia ter racismo, também não, mas casos até no Brasil de times que não permitiam negros aconteceram, mas morreram e viram que aquilo de nada adiantava, tanto para o esporte como para a sociedade, o meio em que vivem aqui no Brasil, o Vasco da Gama foi o primeiro time a aceitar negros em sua equipe, não era só o Fluminense, com a história do pó de arroz, mas todos antes tinham conotações racistas e elitistas, já que o futebol era um esporte assim na época, veio o Vasco para acabar com esta palhaçada sem tamanho.
Agora voltando ao nosso problema que é russo, já quase baniram este clube do futebol, mas por que não o fizeram? É ser tolerante com a intolerância? É o dinheiro que fala mais alto, levando mais uma vez a idéia de que futebol hoje em dia virou um puta negócio? O que acontece para este time nem ter disputado esta taça importante na Europa? Nem deveriam estar jogando a quinta divisão russa! Mas agora parece que a coisa não tem escapatória e correm o risco de serem expulsos da Uefa,devido as atitudes racistas de seus torcedores.
Hoje este clube é tido como um dos mais ricos do mundo, ou seja, o racismo é rico, ele compra, faz com que tenhamos que engolir tudo goela abaixo, agora vão banir este clube? Mais uma informação de como as coisas são mais grave do que pensamos, o presidente atual da Rússia, Dmitry Anatolyevich Medvedev, é torcedor fervoroso e grande contribuidor para a riqueza do clube, acionista da Gazprom, só a maior empresa da Rússia e maior exportadora de gás do mundo.Pois é,né...
Sinceramente não temos que engolir isso a seco e ver que está tudo bem, este mundo continua errado, com manifestações violentas, intolerância, agora temos em nossos olhos, através do esporte mais popular que o mundo tem, a sujeira, o seguimento de idéias que nunca deveriam existir, mas que surgiram e ainda continuam.
Triste e lamentável ver após o jogo, em que este time russo ganhou por dois gols e sagrou-se campeão, Manchester virou campo de batalha onde não só torcedores rivais se digladiaram, mas como briga entre própria torcida, é o retrato do mundo em que vivemos. É a vitória da intolerância.
sábado, 10 de maio de 2008
Marchas pra que te quero.

No Domingo que passou, tivemos dois eventos altamente peculiares e de extremos, pois bem, aconteceram duas manifestações, até então pacíficas, mas que se tornaram uma violência contra a liberdade de expressão e a favor de um fascismo por trás da palavra “família”. As tais manifestações, onde abrem muitas discussões foram “A Marcha da Maconha” e “Rio em defesa da família , tudo muito bom e muito bem por ai: a primeira se manifesta e abre discussão sobre a legalização e a descriminalização da maconha, que diversos estados aderiram à idéia e marcharam pela mesma. Do outro lado temos a marcha onde pessoas contrárias as idéias da primeira manifestação reuniram-se para para protestar. Até ai tudo bem, se não concorda com tal evento, que se manifeste, pessoas que vêem as drogas como algo de ruim para a sociedade, tudo bem.
Desde já não estou aqui defendendo a turma da erva, nem a grande família, mas a primeira marcha nada tem a ver com maconheiros desvairados, que vão sair pela zona sul carioca, fumando seu beck e cantando reggae, eles estão ali por uma idéia que hoje em dia tem de ser discutida mesmo, onde em qualquer país de senso democrático tem que ouvir e discutir a melhor forma para se chegar à soluções como esta, é inevitável hoje em dia se discutir sobre o que faremos com a maconha vendida e que muitos sofrem com isso, se legalizar e descriminalizar a tal droga pode-se diminuir a violência e assim trazer benefícios que a erva tem, em prol de todos. Não falo das drogas e sim das idéias que vejo nessa discussão toda, feita por esta marcha.
Já do outro lado, temos pessoas que não concordam com a tal marcha, pessoas ditas de família, fidedignas, onde não vêem lugar para drogas, que só faz incitar mais violência pelo país porém, a tal marcha da erva não estava lá para dizer “fumem, meu povo, fumem”, eles querem simplesmente abrir mais o debate sobre essa questão de drogas, por quê liberar uma e a outra não? Que mal tem a maconha, já que o álcool mata muito mais e é legalizado? Por que não legalizar e ver que a cannabis tem muito mais utilidade do que uma apertadinha no fim de tarde na praia?
Ai me vem essa marcha, formada por famílias cariocas, onde no jornal eu me deparo com uma foto onde duas pessoas representantes da família e dos bons costumes carregam uma bandeira do símbolo do INTEGRALISMO. Como assim, cara pálida? Como querem reivindicar algo, ser contra, usando um símbolo nefasto, nojento, grotesco? Mas ai o cara que levanta a bandeira com o desenho da erva é um tremendo de um maconheiro, filho da puta, já a turma legal usando um símbolo altamente e muito mais ofensivo às próprias famílias que ali estão pela orla, ta tudo bem?
O direito de se manifestar é pleno, é de fato um direito que qualquer um tem, de abrir qualquer discussão, seja ela o que for. A Justiça proibir a marcha da cannabis, com repressão policial, violência, não só no Rio, mas em outros estados é aterrorizante, pior, tudo isso, quem reivindicou a proibição são os mesmos que usam bandeira de um símbolo fascista? Será que é isso mesmo que o país, depois de tanto lutar para ter seu grito livre, ter que ver cenas totalmente acachapantes de uma volta, um passeio para um passado não muito distante. Será que perderam a lógica e o sentido das coisas? Se manifestar, a turma da família até pode, mas não me venham com aquela bandeira integralista, pagando de pessoas de bom costume e de família, aquilo é um símbolo que mostra realmente o que aconteceu no domingo, calar uma voz.
Como tinha frisado, o nosso direito de manifestar está ai, mas porque uma boa parte daquele grupo se incomoda tanto com uma manifestação e discussão que hoje em dia é atual, não tem como fugir, que são as drogas? São estes mesmos que dizem ser do bom costume, beber seu uísque e não ver que teriam que gritar, junto com a turma da cannabis, uma manifestação em cobrança a tantas atrocidades que vemos e passamos. Porque não gritar por um descaso que é tratado o combate à dengue, que tantos cariocas andam morrendo, por que não encher o saco do prefeito que nada faz, que joga culpa em todos e até em nós mesmos? Por que não gritar, agitar, fazer panelaço com toda essa palhaçada que acontece em Brasília? Ao invés de ficarem fazendo marcha em repúdio a uma que dizem ser contra a moral e bons costumes, usando uma bandeira daquelas ou outras pessoas que se aglomeram para linchar aquele casal que a mídia já massacrou o que devia, chega, eles foram acusados, vão pagar, por que essas pessoas se não querem se manifestar por questões muito mais sérias e que atingem à todos, não fazem outra coisa da vida?
Eu digo que o país em que vivemos é falso-liberal, falso-democrático, na verdade isso aqui é totalmente moralista, dizem que somos um país lindo, de pessoas boas, mas todas prontas a apontar, massacrar, diminuir as outras quando tem opiniões contrárias às suas. A verdade é esta, somos um país hipócrita, que não gosta daqui, um Brasil que não gosta do Brasil, que não olha para o próprio umbigo e tentar de forma inteligente, mudar isso aqui, preferem gritar por pouco, preferem dizer um “não” bem sonoro e fascista para uma turma que está tentando se manifestar de forma pacífica, que uma bunda enorme na novela das nove (já não é oito faz tempo) é uma coisa deliciosa de se ver, mas a discussão de um beijo homossexual é aterrorizante aos olhos de todos no mesmo horário nobre, um país que se manifesta de forma louca quando sua seleção de futebol levanta uma Copa, mas que não se levanta para fazer o mesmo barulho num Congresso, numa Prefeitura, um país acostumado a ser o que é, hipócrita, cheio de preconceitos e defeitos extremamente terríveis à democracia, tudo isso com uma bandeira e com “anauê” nas idéias.
