Sábado cheio de informações
e nessa altura do domingo
ainda não digeri boa parte
A única conclusão é que a exposição da Clarice Lispector é SENSACIONAL.
domingo, 31 de agosto de 2008
sábado, 30 de agosto de 2008
Se é pra assim dizer
eu falo
e você escuta
em acessos nervosos
suas mãos não sabem o que pegar
elas apertam convulsivamente as coisas
eu estou aqui
na verdade estou ali
já não estou mais
adotei uma liquidez fugidia
cuidado para eu não entrar no teu ouvido
ou em alguma parte recôndita do teu corpo
pois não existe vacina, nem anticorpos
para cessar essa intrusa voz que se aloja em ti.
eu falo
e você escuta
em acessos nervosos
suas mãos não sabem o que pegar
elas apertam convulsivamente as coisas
eu estou aqui
na verdade estou ali
já não estou mais
adotei uma liquidez fugidia
cuidado para eu não entrar no teu ouvido
ou em alguma parte recôndita do teu corpo
pois não existe vacina, nem anticorpos
para cessar essa intrusa voz que se aloja em ti.
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
O NASCIMENTO DO PRAZER
(trecho)
“.. O prazer nascendo dói tanto no peito que se prefere sentir a habituada dor ao insólito prazer. A alegria verdadeira não tem explicação possível, não tem a possibilidade de ser compreendida - e se parece com o início de uma perdição irrecuperável. Esse fundir-se total é insuportavelmente bom - como se a morte fosse o nosso bem maior e final, só que não é a morte, é a vida incomensurável que chega a se parecer com a grandeza da morte. Deve-se deixar inundar pela alegria aos poucos - pois é a vida nascendo. E quem não tiver força, que antes cubra cada nervo com uma película protetora, com uma película de morte para poder tolerar a vida. Essa película pode consistir em qualquer ato formal protetor, em qualquer silêncio ou em várias palavras sem sentido. Pois o prazer não é de se brincar com ele. Ele é nós.” Clarice Lispector
(trecho)
“.. O prazer nascendo dói tanto no peito que se prefere sentir a habituada dor ao insólito prazer. A alegria verdadeira não tem explicação possível, não tem a possibilidade de ser compreendida - e se parece com o início de uma perdição irrecuperável. Esse fundir-se total é insuportavelmente bom - como se a morte fosse o nosso bem maior e final, só que não é a morte, é a vida incomensurável que chega a se parecer com a grandeza da morte. Deve-se deixar inundar pela alegria aos poucos - pois é a vida nascendo. E quem não tiver força, que antes cubra cada nervo com uma película protetora, com uma película de morte para poder tolerar a vida. Essa película pode consistir em qualquer ato formal protetor, em qualquer silêncio ou em várias palavras sem sentido. Pois o prazer não é de se brincar com ele. Ele é nós.” Clarice Lispector
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
Tá tarde, mas eu saio...
E na véspera do momento mais importante tomo um porre homérico e esqueço-me em sono embrigado.
Amanhã tem trabalho , mas foda-se.
Talvez até fique mais eloquente de ressaca
Click
As coisas viram assim em clicks intermitentes, em viradas de interruptores e bam! já estamos em outra ocasião.
Maquiagem, toma as falas e vai lá, fala tudo que você quiser.
Fale " Te amo" e come ela . Depois sinta uma enorme repugna daquele corpo nu estranho , daquela mulher que você mal sabe o nome, de manhã.
E siga o clichê de botar as roupas sorrateiramente sem dizer tchau.
Já estou agora na rua , andando e o sol brilha, pego meu carro e dirijo em alta velocidade por uma rodovia cheia de placas vazias e ...
sei lá pra que direção ir... o que importa é que vou.
E na véspera do momento mais importante tomo um porre homérico e esqueço-me em sono embrigado.
Amanhã tem trabalho , mas foda-se.
Talvez até fique mais eloquente de ressaca
Click
As coisas viram assim em clicks intermitentes, em viradas de interruptores e bam! já estamos em outra ocasião.
Maquiagem, toma as falas e vai lá, fala tudo que você quiser.
Fale " Te amo" e come ela . Depois sinta uma enorme repugna daquele corpo nu estranho , daquela mulher que você mal sabe o nome, de manhã.
E siga o clichê de botar as roupas sorrateiramente sem dizer tchau.
Já estou agora na rua , andando e o sol brilha, pego meu carro e dirijo em alta velocidade por uma rodovia cheia de placas vazias e ...
sei lá pra que direção ir... o que importa é que vou.
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Me lembro que quando criança, minha mãe me matriculou na natação. Minhas primeiras lembranças das aulas eram de um enorme mar ameaçador onde a borda era meu porto seguro...
Longe das extremidades seguras, eu visualizava um oceano profundo que me causava um misto de receio e curiosidade.
Com o tempo, passei a me aventurar, a dar braçadas aspirantes, a iniciar meu descobrimento...
Hoje, a mar aberto, observo muitos na borda que sentem um arrepio ao tocar acanhadamente na água; pessoas de várias idades, alguns de sobretudo denotando o mínimo interesse em mergulhar. Dentre estas, as que mais me intrigam são aquelas que ficam uma eternidade observando com uma lividez apática de quem já mergulhou e quase foi tragada por um turbilhão. e ali permanecem com um olhar mortiço... com a falsa impressão de que nas profundezas sempre haverá um mórbido Netuno para aprisioná-las.
Longe das extremidades seguras, eu visualizava um oceano profundo que me causava um misto de receio e curiosidade.
Com o tempo, passei a me aventurar, a dar braçadas aspirantes, a iniciar meu descobrimento...
Hoje, a mar aberto, observo muitos na borda que sentem um arrepio ao tocar acanhadamente na água; pessoas de várias idades, alguns de sobretudo denotando o mínimo interesse em mergulhar. Dentre estas, as que mais me intrigam são aquelas que ficam uma eternidade observando com uma lividez apática de quem já mergulhou e quase foi tragada por um turbilhão. e ali permanecem com um olhar mortiço... com a falsa impressão de que nas profundezas sempre haverá um mórbido Netuno para aprisioná-las.
domingo, 24 de agosto de 2008
sábado, 23 de agosto de 2008
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
domingo, 17 de agosto de 2008
Dizem que o tempo não pára
que o cronômetro da vida não cessa
mas há momentos que tudo fica suspenso
são raros décimos de segundos
apnéia que antecede um gesto
onde o tempo se encerra em sutil paralisia
- mas estas são portas frágeis de papel
que resistem pouco -
daí, rompido o silêncio ,
o tempo soterra essa fenda
seus alicerces cedem
as paredes preenchidas
as estantes , o quarto
a casa vazia
que o cronômetro da vida não cessa
mas há momentos que tudo fica suspenso
são raros décimos de segundos
apnéia que antecede um gesto
onde o tempo se encerra em sutil paralisia
- mas estas são portas frágeis de papel
que resistem pouco -
daí, rompido o silêncio ,
o tempo soterra essa fenda
seus alicerces cedem
as paredes preenchidas
as estantes , o quarto
a casa vazia
sábado, 16 de agosto de 2008
Era noite
daquelas de oprimir o ar e a atmosfera
chovia uma chuva ávida por boeiros e poças
os postes pendiam uma luz anêmica
a cidade sussurrava sob um céu ruidoso
naquela janela consolada por cortinas hirtas
lá se escondia, em sua armadura instranponível
intransponível?
assim pensava, sem ver as frestas nas axilas , no pescoço
sem ver que naquelas costas guarnecidas em bronze
uma mão tocou e eriçou sua alma
a face agora fechada, intocável
fora transfigurada em olhar
torna cerrar em silente receio
encolhe-se na cama sem lençol, forrada de lembranças
daquelas de oprimir o ar e a atmosfera
chovia uma chuva ávida por boeiros e poças
os postes pendiam uma luz anêmica
a cidade sussurrava sob um céu ruidoso
naquela janela consolada por cortinas hirtas
lá se escondia, em sua armadura instranponível
intransponível?
assim pensava, sem ver as frestas nas axilas , no pescoço
sem ver que naquelas costas guarnecidas em bronze
uma mão tocou e eriçou sua alma
a face agora fechada, intocável
fora transfigurada em olhar
torna cerrar em silente receio
encolhe-se na cama sem lençol, forrada de lembranças
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
- Acho que as pessoas sofrem de doença crônica.
- Patologia do medo é o nome dela.
- Estou escrevendo um livro sobre isso, relações pessoais, amorosas, banalização do sexo...
- Muito bom! Ando escrevendo textos sobre...
- Sim. Amigos meus contribuem para a feitura dele. Estou com um capítulo aqui que fala exatamente sobre esta superficialidade das relações atuais, que escrevi com auxílio de conversas com Leornardo Boff.
- Você o conhece?
- Sim, um amigo antigo. O conheci na década de 70, quando vim para o Brasil para auxiliar párocos aqui no Rio.
- Ótimo! Posso tirar uma cópia deste capítulo?
- Claro... Agora você tem que trabalhar... Quero que você me ajude a fazer este livro, vamos marcar um almoço.
- Só marcarmos, meu caro.
-------------------
No segundo dia de trabalho, me recordei das belas surpresas que abrem uma fissura na rotina.
Apesar das manhãs penosas, após parcas horas mal dormidas e madrugadas de cinzeiro cheio, tenho compensações...
- Patologia do medo é o nome dela.
- Estou escrevendo um livro sobre isso, relações pessoais, amorosas, banalização do sexo...
- Muito bom! Ando escrevendo textos sobre...
- Sim. Amigos meus contribuem para a feitura dele. Estou com um capítulo aqui que fala exatamente sobre esta superficialidade das relações atuais, que escrevi com auxílio de conversas com Leornardo Boff.
- Você o conhece?
- Sim, um amigo antigo. O conheci na década de 70, quando vim para o Brasil para auxiliar párocos aqui no Rio.
- Ótimo! Posso tirar uma cópia deste capítulo?
- Claro... Agora você tem que trabalhar... Quero que você me ajude a fazer este livro, vamos marcar um almoço.
- Só marcarmos, meu caro.
-------------------
No segundo dia de trabalho, me recordei das belas surpresas que abrem uma fissura na rotina.
Apesar das manhãs penosas, após parcas horas mal dormidas e madrugadas de cinzeiro cheio, tenho compensações...
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Um dia você tem ao seu alcance as suas mãos
ali espalmadas, prontas para agir a seu favor
e faz, age
acolhe a si com tempestuoso carinho
e voa
suas mãos viram asas desenvoltas
com envargaruas continentais
depois terás os pés e respectivas pernas
com músculos contraídos e espectantes
para um tiro de quantos metros quiser
os infindos kilometros dessa desmedida vida
que assume várias formas e está ali
como suas mãos e pernas a sua espera
assim como estão outras mãos, pernas
outros traços pousados na rua larga de possibilidades
e você impõe aos músculos um ritmo
ser até não é tão difícil quando se sabe qual passo o pé deve empregar
mas aí você não tem os olhos
não os têm na órbita correta
e as ruas assumem tenebrosa escuridão
os pés contêm uma dormente paralisia
as mãos uma aspereza inoperante
pois então
trate de olhar.
ali espalmadas, prontas para agir a seu favor
e faz, age
acolhe a si com tempestuoso carinho
e voa
suas mãos viram asas desenvoltas
com envargaruas continentais
depois terás os pés e respectivas pernas
com músculos contraídos e espectantes
para um tiro de quantos metros quiser
os infindos kilometros dessa desmedida vida
que assume várias formas e está ali
como suas mãos e pernas a sua espera
assim como estão outras mãos, pernas
outros traços pousados na rua larga de possibilidades
e você impõe aos músculos um ritmo
ser até não é tão difícil quando se sabe qual passo o pé deve empregar
mas aí você não tem os olhos
não os têm na órbita correta
e as ruas assumem tenebrosa escuridão
os pés contêm uma dormente paralisia
as mãos uma aspereza inoperante
pois então
trate de olhar.
domingo, 10 de agosto de 2008
Coisas de sábado
Primeiro sábado em Terra Brasilis, tem lugar melhor que a efusiva Lapa?
O céu estava de um cinza tenso e o ônibus engolia a distância vorazmente, com exceção de duas paradas repentinas na via expressa para acolher passageiros perdidos em plena madrugada de sábado.
O cais do porto é de uma escuridão embrutecida, com viadutos sombrios e um silêncio de predador, que naquele momento fora rompido por um carro alegórico fora de época,que impedia a passagem do ônibus. Estamos em pleno agosto e , naquele momento à meia-noite , um carro alegórico era empurrado por meia dúzia de cablocos no do cais do porto - estava com saudade dessas pinturas surrealistas vivas cariocas.
Chegando à Lapa, o mesmo cenário dos finais de semanas cariocas: um centro de todo o tipo de raças, tribos, cores, músicas, etcs.
O depósito apinhado com cerveja a R$ 1.00, um oasis para quem não tem grana. Comprei uma e enquanto a esperava um ébrio me apresentava seu tratado etílico.
- A Itaipava gelada até vai, mas quando esquenta fica igual à água. A Skol que é a melhor cerveja.
Discordo.
Era um sábado úmido de bares cheios.
Com um curto passeio pelas calçadas, você se depara com tantos extremos - patricinhas de micro-saia desfilavam a procura do que elas nem sabem, intelectuais monologando a solução da vida ou queixando-se da irresolução das coisas e parafrasendo "n" escritores em voga, funkeiros fazendo algo que não consigo decifrar ouvindo algo que não consigo denominar e sendo felizes com uma felicidade que não consigo vislumbrar naquilo tudo, um mendigo vociferava profecias inteligíveis para alguém que não estava ali e muitas outras pessoas que não observei passavam. Não tenho aptidão para multidões, se abrem para mim como um borrão multicor , sem face , na maior parte das vezes.
Depois, Soul Baby Soul, uma noite repleta de boa música e alguns copos de bebidas escolhidas a esmo, conversas, mais pessoas e um esboço a lápis mal apontado de dança.
O domingo despontou molhado, trouxe poças, roupas encharcadas e banho de chuva, que acabou me sendo umas boas-vindas inesperadas.
Melhor assim, esperar por boas-vindas pode vir a tolher o ato em si.
O céu estava de um cinza tenso e o ônibus engolia a distância vorazmente, com exceção de duas paradas repentinas na via expressa para acolher passageiros perdidos em plena madrugada de sábado.
O cais do porto é de uma escuridão embrutecida, com viadutos sombrios e um silêncio de predador, que naquele momento fora rompido por um carro alegórico fora de época,que impedia a passagem do ônibus. Estamos em pleno agosto e , naquele momento à meia-noite , um carro alegórico era empurrado por meia dúzia de cablocos no do cais do porto - estava com saudade dessas pinturas surrealistas vivas cariocas.
Chegando à Lapa, o mesmo cenário dos finais de semanas cariocas: um centro de todo o tipo de raças, tribos, cores, músicas, etcs.
O depósito apinhado com cerveja a R$ 1.00, um oasis para quem não tem grana. Comprei uma e enquanto a esperava um ébrio me apresentava seu tratado etílico.
- A Itaipava gelada até vai, mas quando esquenta fica igual à água. A Skol que é a melhor cerveja.
Discordo.
Era um sábado úmido de bares cheios.
Com um curto passeio pelas calçadas, você se depara com tantos extremos - patricinhas de micro-saia desfilavam a procura do que elas nem sabem, intelectuais monologando a solução da vida ou queixando-se da irresolução das coisas e parafrasendo "n" escritores em voga, funkeiros fazendo algo que não consigo decifrar ouvindo algo que não consigo denominar e sendo felizes com uma felicidade que não consigo vislumbrar naquilo tudo, um mendigo vociferava profecias inteligíveis para alguém que não estava ali e muitas outras pessoas que não observei passavam. Não tenho aptidão para multidões, se abrem para mim como um borrão multicor , sem face , na maior parte das vezes.
Depois, Soul Baby Soul, uma noite repleta de boa música e alguns copos de bebidas escolhidas a esmo, conversas, mais pessoas e um esboço a lápis mal apontado de dança.
O domingo despontou molhado, trouxe poças, roupas encharcadas e banho de chuva, que acabou me sendo umas boas-vindas inesperadas.
Melhor assim, esperar por boas-vindas pode vir a tolher o ato em si.
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
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