
O mundo de hoje mudou, com ele toda a sociedade, seus costumes e suas culturas. Houve ocasiões que se reuniam muitos seres geniais da nossa cultura, todos se encontravam e ali aconteciam todos os bafafás, projetos e parcerias. Eram músicos, poetas, cineastas, literários, artistas plásticos, todos com suas atividades, mas algo em comum: a importância de seus trabalhos e contribuição para a cultura do país. Infelizmente não vivi esses tempos, sou da geração em que tudo é prático, enlatado e completamente artificial.
É possível sentir saudade de um tempo que nunca foi vivido? Pois é, vejo filmes, documentos, relatos de tantas personalidades, que tinham realmente uma personalidade, com o carisma e talento. O que vemos hoje em dia? Só ligar a televisão e nos deparamos com o que há de tão deprimente, um bando de pessoas não em busca de uma bolada em dinheiro, trancafiados numa casa, mas com certeza ganharão muito mais que o tal milhão tão sonhado por diversas pessoas que se inscrevem em tal programa. E o que essas pessoas tão carismáticas, talentosas e cheias de personalidade têm a oferecer depois que saem da tal casa? Um ensaio sensualíssimo mostrando a bunda no site, e nem precisa ser bonita. A mulherada garantiu isso e se alguma for mais talentosa que outras, ganha papel em novela, desbancando tantos atores que estão a tempo na estrada, tendo sua estrela apagada pela novíssima celebridade do Brasil.
Hoje é muito fácil ser celebridade, você pode ir ali e tentar a sorte de entrar na tal casa, com quinhentas câmeras, e tem mais graça ainda quando podem ver você dormindo! Mas a fama pode vir de outra maneira: se tiver coragem e gostar, pode ser um travesti. Abocanhar grandes quinze minutos como jogador de futebol, atleta este que nem precisa realmente ser um, pode ter uma barriguinha. Olhe, já deixei três boas dicas de como se tornar uma grande personalidade que vai fazer diferença, tem outra também, pode vender seu corpo ou apenas se fingir de drogado na adolescência e fazer um livro sobre sua vida sofrida, detalhe, sempre com pitadas de auto-ajuda, isso ganha o número monstruoso de brasileiros que lêem.
O mais interessante vem agora. Vai circular nas grandes revistas de celebridades maravilhosas, posando para fotos como se tivessem sido bem espontâneas ou então mostrar a casa para os leitores, ai tem você fingindo que lê(mas no fundo nem um panfleto dá uma olhada para ver o que tem), com a família feliz(sendo que a esposa é um trubufu,mas que foi salva pelo photoshop), está lá, a grande celebridade! Talvez também consiga aparecer nas colunas sociais, num evento de alguma socialite que anda para lá e pra cá com seu poodle rosa, numa festa repleta de músicos, cineastas, pintores, socialites, papagaio de pirata, cronistas, etc... Mas não se esqueça de falar alto, porque os colunistas pescam todas as grandes pérolas mandadas pelas celebridades maravilhosas.
Bom, ironias a parte, sinto saudade de um tempo em que não vivi. De pessoas que faziam a diferença nesse pequeno e grande mundo, de encontros entra os grandes intelectuais e não um diretor que em sua peça mostra a bunda para o público,taxando os seus espectadores, que pagaram para ver essa maravilhosa peça, de burros. Saudade de um tempo em que não vivi em que a roda de bar era o início de parcerias fenomenais, que ficariam para sempre marcadas. Saudade de uma geração nada artificial, mas pensante, que não existia essa comodidade e praticidade de hoje, antes era a carta, hoje o email. Saudade do que não vivi.
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