terça-feira, 8 de julho de 2008

Na noite passada, há poucas léguas daqui, me deparei com alguns passantes que se convergiram em mim.
Perguntei ao poeta e ele me disse:

- Atire-se, tal qual súbito suicida.

Depois sondei o caixeiro viajante:

- Tome cuidado com certos caminhos, não se lance tal um adolecente às veredas.

Por fim, vi ali hesitante minha mãe na cozinha e suas tarefas automáticas:

- Qual é mesmo a cor de seus cabelos?

Adormeci. Depois de digerir as parcas horas matutinas, me despi desta noite e me guarneci de duro paletó, suavizado porém com provisões indispensáveis - punhados de poesia e um cantil de flúida prosa. Apesar de sua rigidez furta-cor e sisuda envergadura irresoluta, meu paletó jazia em mim com paradoxa calidez - dotada de uma doce combinaçãode canetas, música, céus claros, outonos e aquele inoxerável palpitar que podemos nomear de sentimento.

Fui trabalhar.

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