sábado, 16 de agosto de 2008

Era noite
daquelas de oprimir o ar e a atmosfera
chovia uma chuva ávida por boeiros e poças
os postes pendiam uma luz anêmica
a cidade sussurrava sob um céu ruidoso

naquela janela consolada por cortinas hirtas
lá se escondia, em sua armadura instranponível
intransponível?
assim pensava, sem ver as frestas nas axilas , no pescoço
sem ver que naquelas costas guarnecidas em bronze
uma mão tocou e eriçou sua alma
a face agora fechada, intocável
fora transfigurada em olhar
torna cerrar em silente receio
encolhe-se na cama sem lençol, forrada de lembranças

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