Primeiro sábado em Terra Brasilis, tem lugar melhor que a efusiva Lapa?
O céu estava de um cinza tenso e o ônibus engolia a distância vorazmente, com exceção de duas paradas repentinas na via expressa para acolher passageiros perdidos em plena madrugada de sábado.
O cais do porto é de uma escuridão embrutecida, com viadutos sombrios e um silêncio de predador, que naquele momento fora rompido por um carro alegórico fora de época,que impedia a passagem do ônibus. Estamos em pleno agosto e , naquele momento à meia-noite , um carro alegórico era empurrado por meia dúzia de cablocos no do cais do porto - estava com saudade dessas pinturas surrealistas vivas cariocas.
Chegando à Lapa, o mesmo cenário dos finais de semanas cariocas: um centro de todo o tipo de raças, tribos, cores, músicas, etcs.
O depósito apinhado com cerveja a R$ 1.00, um oasis para quem não tem grana. Comprei uma e enquanto a esperava um ébrio me apresentava seu tratado etílico.
- A Itaipava gelada até vai, mas quando esquenta fica igual à água. A Skol que é a melhor cerveja.
Discordo.
Era um sábado úmido de bares cheios.
Com um curto passeio pelas calçadas, você se depara com tantos extremos - patricinhas de micro-saia desfilavam a procura do que elas nem sabem, intelectuais monologando a solução da vida ou queixando-se da irresolução das coisas e parafrasendo "n" escritores em voga, funkeiros fazendo algo que não consigo decifrar ouvindo algo que não consigo denominar e sendo felizes com uma felicidade que não consigo vislumbrar naquilo tudo, um mendigo vociferava profecias inteligíveis para alguém que não estava ali e muitas outras pessoas que não observei passavam. Não tenho aptidão para multidões, se abrem para mim como um borrão multicor , sem face , na maior parte das vezes.
Depois, Soul Baby Soul, uma noite repleta de boa música e alguns copos de bebidas escolhidas a esmo, conversas, mais pessoas e um esboço a lápis mal apontado de dança.
O domingo despontou molhado, trouxe poças, roupas encharcadas e banho de chuva, que acabou me sendo umas boas-vindas inesperadas.
Melhor assim, esperar por boas-vindas pode vir a tolher o ato em si.
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