Padecemos de falta de coragem
Quando frente à fresta luminosa da porta, somos sondados por aquela umidade de luz, musgo, ares - precipícios macios; e com as mãos trêmulas damos mais um volta na chave- trancando mais - com patológico temor do inédito.
Depois abrimos as janelas e vemos o vapor longínquo de lá.
assim apelidamos parcamente o suntuoso horizonte: "lá"
pegamos lânguidamente uma poltrona a tira-colo e olhamos, tentando transpor o trinco da janela e inutilmente tocar.
A partir daí nos apercebemos (ou não: porque temos implícita a patologia de não-saber) que padecemos também da falta de toque.
Nossas faces então franzem-se em uma torpeza dura de concreto.
e daí nossa matéria, originalmente maleável, enrijece.
Padecemos de desumanização. E então, na penumbra de nós, somos engolidos por nós, viramos mais um móvel amorfo e mortiço de nossas sombrias dependências.
Viramos um quarto-sala sem janelas nem porta,com espessas paredes e impregnado de rarefeito ar taxidérmico.
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